A adaptação cinematográfica de Wicked, dirigida por Jon M. Chu, é uma experiência surpreendente, mesmo para aqueles que não são fãs incondicionais de musicais. Baseado no aclamado musical da Broadway, o filme aborda a amizade entre duas jovens na Universidade de Shiz, no mundo de Oz: uma garota incompreendida devido à sua pele verde e outra, popular e carismática. O enredo é impulsionado pelo impacto de seu encontro com o Mágico de Oz, levando-as a enfrentarem dilemas que colocam sua amizade à prova.
De início, Wicked já enfrentava desafios para me conquistar. Nunca assisti à versão da Broadway, pouco conhecia a trilha sonora, e musicais geralmente não estão entre meus gêneros favoritos. No entanto, fui cativado pela qualidade excepcional do filme. Um dos pontos mais impressionantes é o uso de cenários práticos, que trazem um toque de autenticidade rara no cinema atual, onde o CGI muitas vezes domina. Apesar de incluir efeitos visuais – necessários para criar elementos fantásticos como macacos voadores e cabras falantes –, o filme impressiona por seus sets reais, como o imponente trem construído para a produção e o belíssimo campus da Universidade de Shiz.
A direção de Jon M. Chu é magistral. Ele utiliza sua experiência em produções como Step Up 3 e In the Heights para criar cenas coreografadas de maneira envolvente e visualmente impactante. A câmera está constantemente em movimento, acompanhando os dançarinos em composições elegantes que tornam o filme dinâmico e fluido, apesar de sua longa duração de 2 horas e 40 minutos, que parece passar mais rapidamente do que o esperado.
O elenco é outro ponto alto. Ariana Grande oferece uma performance cômica e cativante como a garota popular, conseguindo equilibrar momentos de superficialidade com uma evolução emocional que a torna mais compreensível e humana ao longo do filme. Já Cynthia Erivo brilha intensamente, tanto em suas cenas dramáticas quanto em sua interpretação musical. Sua voz poderosa e sua atuação emocionalmente carregada tornam sua personagem incrivelmente cativante, especialmente ao retratar a experiência de ser uma excluída.
O filme também equilibra habilmente tons contrastantes. Ele explora temas profundos como ansiedade, depressão e o sentimento de exclusão, enquanto proporciona momentos de pura diversão e leveza, exemplificados na memorável sequência da música “Popular”. Essa combinação torna Wicked uma experiência emocionalmente rica e acessível para diversos públicos, até mesmo para os mais céticos.
Apesar de ser apenas a primeira parte de uma história dividida em dois filmes, Wicked oferece uma narrativa coesa, com início, meio e fim satisfatórios. Embora a continuação seja aguardada para expandir o enredo, esta primeira parte não deixa o espectador com a sensação de algo incompleto, o que é uma conquista notável em um mercado onde muitas franquias falham em fazer isso.
Para aqueles que já são fãs do musical, ou do universo de Oz, Wicked será uma experiência emocionante e nostálgica. Para os céticos ou os desinteressados em musicais, o filme ainda tem o potencial de surpreender, graças à sua produção cuidadosa e performances impactantes. Wicked não é apenas um musical; é um filme com “M” maiúsculo, capaz de conquistar até os corações mais resistentes.
Fonte da imagem: https://www.ingresso.com/noticias/wicked-parte-1-trailer-1-oficial